domingo, 3 de fevereiro de 2013

Da inspiração. E da falta que ela me faz.

Preciso de inspiração para escrever. A falta de inspiração desinspira-me. Talvez isto seja redundante, mas é exatamente o que se passa. Não saber o que escrever faz-me sentir que também não sei muito bem o que fazer, que o vento me leva os dias sem que eles me deixem pinga de emoção. La está, de inspiração.
Pode ser que seja só o cinzento dos dias, a chuva e o frio. Ou a monotonia, o trajeto diário entre a casa e o trabalho que e sempre igual e não oferece novidade. 
Valha-me o cinema. E os livros, claro. Depois das pessoas mais queridas, são os livros quem me faz mais feliz. Sobretudo porque me fazem pensar, sonhar, viajar, aprender, sem sair do lugar, sem oferecer resistência  sem me fazerem provar-lhes nada. Não importa se eu sou boa ou má, se tive um dia bom, mau ou assim assim, se estou satisfeita ou desiludida, se ri muito ou se chorei muito. Eles estão iguais a eles próprios e contam-me historias, reais ou imaginárias, que me fazem fechar os olhos e estar lá. Depois durmo e estou mesmo, as personagens fazem parte da minha vida, eu própria sou outra personagem num livro alternativo a este que, sem me aperceber, vou escrevendo todos os dias. 
E depois há o cinema, claro. Com um bom filme posso chorar durante horas sem me sentir deprimida ou deprimente. Quantas vezes já lavei a alma com um bom filme! E depois também posso rir descontroladamente sem me sentir doida e apaixonar-me por pessoas que não existem e viver com elas uma vida que não existe mas que podia muito bem existir!
Desde sempre me perguntei como fazem aquelas pessoas que nunca tem duvidas e que são sempre tão incrivelmente felizes consigo próprias e com tudo o que fazem. Será que essas pessoas adoram o trabalho que fazem todos os dias? Mesmo todos os dias? E será que nunca se cansam de estar no mesmo lugar, de falar com as mesmas pessoas todos os dias? E será que não se cansam de si próprias?  Será que não tem vontade de ser outra pessoa por um dia, de viver outra vida por um dia, de mudar de autor e de estilo durante uns quantos capítulos? 
Preciso de inspiração. Ela faz-me falta. Tenho saudades dela. A sua falta faz-me questionar tudo. 
Hoje vou ver o Django.
E vou ler "The Fall of Giants".
De certeza que amanhã estou inspirada.


sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Ha gente que fica na historia da historia da gente.

Uma das coisas que mais aprecio nas pessoas e a capacidade de me surpreenderem mesmo ao fim de anos de convivencia, de milhares de dias passados em conjunto, de infinitas historias partilhadas. Eu ja gostava de ti, ja admirava a conviccao das tuas ideias, o tom tao proprio de tudo o que dizes e da forma como pensas.
Hoje, toda a forca do meu amor e da minha amizade estao contigo. Porque nos ultimos tempos ensinaste uma grande licao a todos os que te amam e a todos os que tao bem te conhecem.
Guerreira e a palavra que melhor te define e isso herdaste de quem coisas tao boas te deixa.

Seras sempre abencoada pela forca do amor que carregas contigo, pela tua generosidade, pela tua capacidade de amar e de seres amada. 

Mil palavras nao chegariam. E na verdade nao sao necessarias. Tens a coragem propria de uma mulher enorme. Uma mulher que se formou comigo e que cresceu ao meu lado.

Foi um privilegio conhecer uma familia maravilhosa que tao bem sempre me acolheu e com a qual passei momentos tao felizes. Nunca, nem em mil anos, me conseguiria esquecer. 

Adoro-te amiga.
Estou sempre contigo.


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

When you suddenly realise life can be way less complex...

P.,

Este post chega com dias de atraso, o que no fundo ate faz sentido porque se prolonga a data. E assim, de longe, quando estiveres a ler, saberás que estamos sempre perto.

Este e um post que, independentemente da tua relutância relativa a demonstrações publicas de afeto  tinha que ser feito. Acima de tudo porque e uma homenagem a ti e um obrigada por tudo o que tens feito por mim.

Em primeiro lugar, tenho que te dizer publicamente que, mais do que qualquer outra coisa, aprecio, admiro e fico encantada, todos os dias, pela pessoa que és. Os primeiros parabéns são  sem duvida, para todos aqueles que contribuíram para que te tornasses a pessoa maravilhosa que és hoje. A tua simplicidade, generosidade, humildade e inteligencia são fruto de um trabalho maravilhoso daqueles que te educaram, que te acompanharam, que te tornaram um Homem. No verdadeiro sentido de Humanidade.

Mais do que qualquer outra coisa, perceber que o egoismo não e algo incontornável na natureza humana, mudou a minha vida e tem-me feito olhar de uma forma diferente para mim mesma, para a minha vida, para os outros e a minha relação com eles. Ser ambicioso não significa ser ganancioso, ser invejoso, ser egoísta  E possível ser-se ambicioso e ser-se bom, generoso, preocupado com o próximo  ainda quando esse "próximo" ate e um bocadinho afastado.

Esta era uma duvida que me atormentava. E que tu dissipaste.

E depois ha todas as outras coisas que nós sabemos. Mas que, essas sim, são nossas e continuarão a ser.

Parabéns a ti e Parabéns aos teus educadores e aos teus mentores, os que ainda estão presentes e os que já partiram.

E obrigada ao destino que "quase sem querer" nos colocou no caminho um do outro.

Parabéns pela magia dos teus 27 :)

Ate já!
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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Ao homem da minha vida.

Ainda bem que te digo muitas vezes o quanto te amo. Ainda bem que te abraco sempre que posso. Ainda bem que te digo sempre quando nao concordo contigo. Ainda bem.

Tive medo de te perder hoje. Tive medo de nao te voltar a ver, de nao voltar a ouvir a tua voz.
Tive saudades de ser pequena, de me enroscar no teu colo. Tive vontade de discutir contigo ate as tantas da madrugada coisas que so para nos fazem sentido.

Vou dizer-te ate ao final dos dias o quanto te amo, o quanto te admiro. Quero que saibas, todos os dias, o orgulho que tenho em ti por teres coragem, por seres sincero, por caires uma vez e te reergueres duas ou tres de seguida. Tenho orgulho em ti porque nunca deixas de tentar ser feliz e de fazeres o que achas correcto, mesmo que o mundo inteiro ache que e apenas mais um devaneio teu e te diga que nao vais conseguir, que nao vai funcionar.

Tenho orgulho que tenhas tanta gente que gosta de ti e que, como eu, te admira.

Nao me voltes a fazer ter medo de te perder. Promete. Tens que prometer. De verdade. Ainda nao vieste a Irlanda, ainda nao fomos de ferias para as Caraibas. Ainda tens que levar os teus netos a passear ao parque.  Ui, falta tanta coisa!

Tenho mais saudades tuas do que nunca. E este texto e para ti. Para que te relembres do quanto es grande e das coisas todas que ainda temos que te dar.

As melhoras Papa.

Amo-te.
Ate ja!

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Now it's for real!

Às vezes o que eu não dava para que o meu dia tivesse 36 ou 48 horas, em vez das apressadas 24 que, ocupando-se de todos os "deves fazer" e "tens que fazer", tão pouco tempo deixam para o que realmente nos dá prazer. Como escrever...

Quando era miúda queria ser escritora.. Mas isso foi antes de todas as apresentadoras de programas da manhã escreverem romances. Perdeu um certo encanto.

Bom mas voltando à ilha verde. Novo trabalho, nova rotina. Desta vez é uma coisa a sério, silenciosa, concentrada, responsável e eficiente. Não há cá perder tempo com cafés e cigarros para depois sair às 8 e dizer que o dia de trabalho não chega para fazer tudo e se deviam contratar mais pessoas para a cigarrada depois do almoço ser ainda mais animada. 

Agora sei o que significa eficiência e o que distingue as boas empresas das medíocres. Trabalho é trabalho. Cognac é cognac. Mas este último só acontece depois das 6, quando o escritório já fechou.

Em suma, gosto muito. Sinto-me desafiada, estimulada, espicaçada pelo cumprimento dos objetivos. 

Entretanto, tese terminada e entregue. 4 casas, 3 empregos e 2 países depois, escrevi a última palavra de um trabalho arrancado "a ferros". Não foi fácil, mas nada do que não é difícil tem o mesmo sabor, verdade?

O festejo de todas estas pequenas conquistas foi feito em Paris. Cidade da luz e do amor, de histórias contadas e de histórias escondidas, de beleza sem fim e um encanto sem par. Paris fica no coração de quem por ela passa e o nosso coração fica também um bocadinho lá com ela. É cidade para ir e voltar, voltar, voltar...

O meu Portugal, as minhas pessoas, verei em pouco mais de um mês. Habituei-me às saudades, o dia-a-dia ocupa a cabeça e ajuda saber que há sempre um abraço pronto para mim ao chegar a casa. Mas faz-me falta o cheiro a maresia da minha cidade, as noites quentes de Verão, o sol de Domingo no Inverno numa esplanada à beira-mar, a meia de leite e a torrada com manteiga, a pescada cozida com batatas e ovo, os jogos no Dragão na companhia de um avô babado dos seus netos portistas. 

Acho que é assim a vida de emigrante. É feliz, mas não completa. O que, vendo bem, seria verdade do mesmo modo se continuasse a viver em Portugal. Pelo menos assim aproveito sempre o melhor de todos os mundos.

E sou feliz.
Até já :)

PS. Mumi, Vós, ontem fiz sopa pela primeira vez na vida. E (quase) ficou parecida com a vossa! Yey!

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Sometimes you have to go after it. Sometimes you're just lucky.

"Os teus olhos brilham", dizem eles.

Estou feliz. Optimista, acho que é a palavra indicada. A vida mudou e está a seguir o rumo que eu havia traçado para ela. O caminho a percorrer é ainda muito longo e terá de certeza estradas sem saída, ruas cortadas, obstáculos e trambolhões. Estou preparada para todos? Não. Certamente não. Só não me apetece antecipá-los.

Por agora sei que este é o caminho que me vai levar onde quero, onde sonhei, onde ainda sonho. Quero sempre mais, quero ser sempre a subir, quero crescer muito para lá dos meus limites. Por isso vim e quis ficar. Arrisquei e, por agora, ganhei. Mais um passo, mais uma conquista.

Já levo duas daqui. Duas conquistas que não se encerram por terem acontecido. Merecem atenção, cuidado, trabalho constante, amor e dedicação diários. Ocupam-me o espírito e enchem-me o coração. É delas que vem a felicidade que trago estampada no rosto.

Por agora saboreá-las é tudo o que quero. Hei-de esperar sempre mais e mais e virá o dia em que precisarei de escalar mais uma montanha, de olhar para lá das minhas próprias fronteiras.

De braço dado com o amor, partirei em busca de novos desafios. É o que se deseja quando se acredita tanto e quando há tanta gente que acredita em nós.

Tenho amor. Tenho família. Tenho amigos. Tenho trabalho.

Sou sortuda. E feliz.

Até já :)



segunda-feira, 10 de setembro de 2012

The great city.

No fim de semana passado fui a Londres. Pela primeira vez e, claro, em muito boa companhia.

Eu já sabia que ia gostar. Sempre gostei de cidades grandes, sempre achei que nasci para viver numa. E parece que não me enganei.

Gosto muito de Dublin e admiro o seu cosmopolitismo, a sua abertura cultural e a sua simpatia, mesmo sendo uma cidade tão pequena. Mas, perdoem-me os maiores fãs e sem qualquer menosprezo pela ruralidade onde está uma parte muito grande das minhas raízes, sair de Dublin e ir a Londres é como ir da aldeia no campo para a cidade. E eu prefiro a cidade.

Tudo é enorme, tudo é confuso, a começar pelo tão afamado metropolitano. As ruas estão cheias, as lojas transbordam de pessoas, ninguém se olha nos olhos, ninguém repara em ninguém. Sim, esse é o maior defeito das cidades grandes. Mas nada é perfeito, não é?

As pessoas são bonitas, elegantes, vestem bem, calçam bem. Em Dublin não. Na verdade ainda não percebi de onde sai a moda que os irlandeses inventaram para si próprios e que partilham com os irlandeses do norte e os escoceses. Não é, de todo, a mesma que nós seguimos. Há-de haver quem goste com certeza, mas não é o meu caso.

Londres respira elegância e glamour. É uma cidade requintada, com mil coisas para fazer, com tanta atividade que não se sabe bem para onde olhar quando se lá aterra.

Fui ver um musical. The Lion King. Que maravilha! Que qualidade! Que aplausos tão merecidos! Que vontade de ver mais um e mais outro e mais outro dos tantos que estão em cena nos diversos teatros londrinos.

Fiz compras em Camden Town, visitei Notting Hill, tirei fotos à turista no Parlamento com o Big Ben de fundo, passeei ao pé do London Eye, jantei em Angel, diverti-me na loja da M&Ms. Sorri muito, fui muito feliz.

É tão bom quando se realizam sonhos!

PS. Já lá vão 23. E tive direito a surpresas bonitas, video-chamadas divertidas, presentes emocionados e emocionantes e bolo. Happy Birthday to me. O mais diferente de sempre. O mais saudosista de sempre. Um dos mais felizes de sempre.

Até já ;)*