quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Sometimes you have to go after it. Sometimes you're just lucky.

"Os teus olhos brilham", dizem eles.

Estou feliz. Optimista, acho que é a palavra indicada. A vida mudou e está a seguir o rumo que eu havia traçado para ela. O caminho a percorrer é ainda muito longo e terá de certeza estradas sem saída, ruas cortadas, obstáculos e trambolhões. Estou preparada para todos? Não. Certamente não. Só não me apetece antecipá-los.

Por agora sei que este é o caminho que me vai levar onde quero, onde sonhei, onde ainda sonho. Quero sempre mais, quero ser sempre a subir, quero crescer muito para lá dos meus limites. Por isso vim e quis ficar. Arrisquei e, por agora, ganhei. Mais um passo, mais uma conquista.

Já levo duas daqui. Duas conquistas que não se encerram por terem acontecido. Merecem atenção, cuidado, trabalho constante, amor e dedicação diários. Ocupam-me o espírito e enchem-me o coração. É delas que vem a felicidade que trago estampada no rosto.

Por agora saboreá-las é tudo o que quero. Hei-de esperar sempre mais e mais e virá o dia em que precisarei de escalar mais uma montanha, de olhar para lá das minhas próprias fronteiras.

De braço dado com o amor, partirei em busca de novos desafios. É o que se deseja quando se acredita tanto e quando há tanta gente que acredita em nós.

Tenho amor. Tenho família. Tenho amigos. Tenho trabalho.

Sou sortuda. E feliz.

Até já :)



segunda-feira, 10 de setembro de 2012

The great city.

No fim de semana passado fui a Londres. Pela primeira vez e, claro, em muito boa companhia.

Eu já sabia que ia gostar. Sempre gostei de cidades grandes, sempre achei que nasci para viver numa. E parece que não me enganei.

Gosto muito de Dublin e admiro o seu cosmopolitismo, a sua abertura cultural e a sua simpatia, mesmo sendo uma cidade tão pequena. Mas, perdoem-me os maiores fãs e sem qualquer menosprezo pela ruralidade onde está uma parte muito grande das minhas raízes, sair de Dublin e ir a Londres é como ir da aldeia no campo para a cidade. E eu prefiro a cidade.

Tudo é enorme, tudo é confuso, a começar pelo tão afamado metropolitano. As ruas estão cheias, as lojas transbordam de pessoas, ninguém se olha nos olhos, ninguém repara em ninguém. Sim, esse é o maior defeito das cidades grandes. Mas nada é perfeito, não é?

As pessoas são bonitas, elegantes, vestem bem, calçam bem. Em Dublin não. Na verdade ainda não percebi de onde sai a moda que os irlandeses inventaram para si próprios e que partilham com os irlandeses do norte e os escoceses. Não é, de todo, a mesma que nós seguimos. Há-de haver quem goste com certeza, mas não é o meu caso.

Londres respira elegância e glamour. É uma cidade requintada, com mil coisas para fazer, com tanta atividade que não se sabe bem para onde olhar quando se lá aterra.

Fui ver um musical. The Lion King. Que maravilha! Que qualidade! Que aplausos tão merecidos! Que vontade de ver mais um e mais outro e mais outro dos tantos que estão em cena nos diversos teatros londrinos.

Fiz compras em Camden Town, visitei Notting Hill, tirei fotos à turista no Parlamento com o Big Ben de fundo, passeei ao pé do London Eye, jantei em Angel, diverti-me na loja da M&Ms. Sorri muito, fui muito feliz.

É tão bom quando se realizam sonhos!

PS. Já lá vão 23. E tive direito a surpresas bonitas, video-chamadas divertidas, presentes emocionados e emocionantes e bolo. Happy Birthday to me. O mais diferente de sempre. O mais saudosista de sempre. Um dos mais felizes de sempre.

Até já ;)*

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Meanwhile in Ireland...

Saudade foi a palavra que melhor caracterizou os dias que se seguiram à memorável visita à Escócia. Sentir saudades, matar saudades. Tão português, tão cansativo e tão bom e recompensador.

A Irlanda continuava igual. Cheia de pubs e de pubs cheios para os irlandeses. Cheia de uma chuva deprimente e irritante de Agosto para os restantes mortais que habitam esta cidade. Ok ok, houve dias de sol. Um ou dois ou três, vá. Mas foram sempre imediatamente seguidos por um dia de chuva intensa, o que automaticamente apaga as boas lembranças da jornada solarenga precedente.

E a mim faltava-me a energia necessária para absorver as vibrações positivas deste tímido e raro sol irlandês. O amor alimenta, as saudades consomem, roubam tempo ao espírito, intranquilizam o coração.

Para o tranquilizar só mesmo o sol português, o verdadeiro, o que queima a pele e enche a alma. E matar saudades de abraços que tanto faltam diariamente. Foram só dois dias, mas trouxeram uma energia incomparável, imparável. O melhor de tudo é saber que tenho sempre para onde voltar, enquanto aqui há sempre alguém que me espera.

O último fim de semana foi de visita ao sul da ilha verde. E que verde!! Fazer o Ring of Kerry é de cortar a respiração e faz-nos sentir pequeninos, inexistentes quase, perante as maravilhas e as surpresas da Mãe Natureza. Indubitavelmente, um dos sítios mais bonitos que já conheci.

Depois de tanto amaldiçoar esta chuva permanente, as paisagens do Ring of Kerry fizeram-me agradecer por assim ser. Se não chovesse tanto, esta ilha não seria com certeza tão bonita.

E no fim de tudo, há sempre uma pint, um abraço ou um beijo para aquecer o coração.

Tudo está bem quando acaba bem!

Até já;)

PS. O próximo fim de semana vai ser de visita à grande metrópole, Londres. E a próxima semana é de festa e de melancolia. Mas desta vez é uma melancolia doce. Com bolo de aniversário.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Scotland: Land of Princesses and Knights :)

Eu juro que se fechasse os olhos conseguia ouvir os cascos dos cavalos, as espadas dos duelos, as jovens princesas em busca do seu principe encantado. Chegar a Edimburgo é como estar num filme sobre a época medieval, é como ser transportado para uma realidade com mais de dez séculos. Tudo parece uma pintura, tudo parece irreal. É impossível não gostar de uma cidade que nos faz levantar os pés do chão, que nos faz imaginar como seria se não vivessemos nesta época e nos passeassemos por aquelas ruas apertadinhas, enquanto assistiamos a duelos fervorosos pela honra de uma familia ou pelo amor de uma dama.

Até o tempo ajudou a estimular a imaginação. Um dia de sol magnifico, que se foi tornando mais cinzento e que trouxe uma neblina ténue às zonas mais altas da cidade, tornando tudo mais misterioso, mais propicio a fantasias medievais.

Tudo isto se ia tornando mais contrastante à medida que iamos descobrindo o ambiente que pulsava na cidade. O festival Fringe traz espetaculos de rua, cantores, comediantes, músicos, dançarinos e gente, gente que chega de todo o lado para se divertir e para viver momentos únicos que só uma cidade carregada de tanta magia pode proporcionar.

Não admira mesmo nada que a J.K. Rowling se tenha inspirado tanto em Edimburgo para escrever uma das minhas obras de eleição. Edimburgo é mistério, é magia, é deixarmo-nos levar para fora da nossa realidade.

Glasgow brindou-nos com uma chuva incessante durante todo o tempo em que lá estivemos. É um sítio diferente, com traços muito característicos da cidade industrial que outrora foi. Mas caminhando para a parte oeste da cidade, lá estão os castelos, as torres enormes, os jardins. Verde, é tudo tão verde!

Estudar na Universidade de Glasgow deve ser como viver em permanência num castelo medieval!

Enfim, um fim de semana com cheirinho a sonho que traz muito pouca vontade de acordar na realidade quotidiana.

"Tão, tão bom!" ;)

As próximas semanas vão ser de muito trabalho e de muitas saudades.

Até já ;)

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Shake it out :D

Bem, ao que parece Dublin arruinou com a Florence Welch. É verdade, a querida vai faltar ao Alive por problemas de garganta "decorrentes de um concerto na Irlanda". E eles aqui não fazem encore, imagine-se o que seria se fizessem!

Verdade, último fim de semana, mais música, mais concertos, mais lama (muito mais lama desta vez!), mais alegria. Temper Trap, Florence and the Machine e Snow Patrol. Três bandas de que gosto muito, três bandas que me surpreenderam pela positiva. Surpreenderam-me sobretudo porque não é fácil galvanizar o público irlandês e elas estiveram perto.

Sounds weird, ha? Tendo em conta que a esmagadora maioria dos meus posts realça a boa disposição, a simpatia e o calor deste povo, não seria de esperar uma atitude tão fria e tão desinteressada quando estão a ouvir ao vivo uma voz tão intensa e arrepiante como a do Dougy Mandagi (vocalista dos The Temper Trap), por exemplo. Só estranhei nos primeiros cinco minutos de concerto, a resposta afigurou-se bem clara logo a seguir: o álcool ainda não era suficiente.

O público neste festival era bem diferente do "Body&Soul", onde estive há umas semanas. A diferença começa logo na média de idades e isso muda tudo. É natural ver em Dublin crianças com 15, 16 anos sairem à rua praticamente despidas, seguindo o objectivo deliberado de beberem até cair, de maneira que assim que entrámos percebemos que estar naquele recinto era apenas mais uma forma de apanhar uma bebedeira, de exibir os dez kg de maquilhagem na cara, de mostrar ao mundo as novas galochas com tartarugas e joaninhas tão úteis para saltar na lama e polvilhar a multidão à volta com pepitas de terra molhada.

A certa altura é irritante, admito. Fui ali para ouvir música, boa música, música de que gosto realmente e a  senti-me em mais um pub, onde toda a gente bebia descontraidamente a sua pint como se nada de mais em especial estivesse ali a acontecer. Apeteceu-me gritar "Hey, o homem tem uma voz inacreditável, importam-se de me deixar ouvi-lo melhor um bocadinho por favor?!".

É claro que o ambiente de Irish Pub que se viveu durante o concerto dos The Temper Trap, a primeira banda a tocar, se foi alterando à medida que o álcool ia subindo à cabeça de miúdos e graúdos. Florence and the Machine arrasaram, em grande parte devido à incrível presença em palco da Florence Welch que, essa sim, conseguiu por a saltar mesmo os irlandeses que ainda não estavam ébrios (e que também não eram muitos, diga-se). Mas mesmo assim, nada de encore. Não vale a pena, ninguém pede, ninguém parece ligar. Não há público como o português.

Snow Patrol falaram ao coração dos presentes. Até o pai do vocalista subiu ao palco (arrancando-me umas lágrimas, devo confessar!). O problema é que, sendo os últimos a actuar, os Snow Patrol tiveram direito à audiência mais alcoolizada do dia. E oh! encore!!!!! O primeiro a que assisti na Irlanda!

Para eles foi com certeza fantástico ver aqueles milhares de pessoas a saltar e a gritar descontroladamente, enquanto cantavam todas as músicas (lá nisso, concedo-lhes o mérito por saberem as letras todinhas de cor!). Para nós, sóbrios, é que foi mais complicado aguentar a euforia exagerada dos irlandeses que insistiam em pendurar-se uns nos outros, em dar enormes quedas em grupo e em incitar moches. O som de Snow Patrol nem sequer é assim tão pesado, é? Enfim, acho que é uma questão de prática.

É assim que eles são. No alcohol, no fun. E nós nada mais podemos fazer do que ser Romanos em Roma.

Em todo o caso, foi um dia muito bem passado. E inesquecível, por ter representado muito mais do que um dia de concertos.

Até já;)

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Balanço, balancinho, balancete

Two months are gone.

Dois meses que não vi, que não senti, que não me deram tempo nem espaço para pensar. As horas fogem de mim, escapam-me por entre os dedos. Acho que concorrem para que se torne quase um desafio vivê-las intensamente, porque fica tudo na minha mão: quero saborear cada momento, memorizar cada lugar, sentir cada cheiro como se fosse a última vez. E os dias teimam em correr, em não deixar espaço a reflexões. Não que elas sejam necessárias. Eu é que gosto delas, sempre gostei. É por isso que este blog existe.

Debruço-me então sobre o balanço a fazer do que por aqui tenho vivido. O choque e a euforia iniciais já deram lugar à tranquilidade de ir podendo chamar "casa" a um lugar onde nunca tinha estado antes. Aos poucos tudo se torna familiar. Vou-me habituando ao trânsito pela esquerda, à chuva incessante, à música alta por toda a cidade, à minha bicicleta e às aventuras de percorrer com ela o centro da cidade sem me enganar no sentido da estrada. Vou tendo também que me habituar a um novo escritório, novas pessoas, novas rotinas, novos timings.

Mas o que mais mudou nestes dois meses foram os laços criados. Mais fortes do que o tempo volvido poderia deixar supor. São estes laços que nos fazem passar do tipo de pensamento "nada tenho a perder" para a dúvida "e agora se eu perco isto?". As pessoas à nossa volta constroem o nosso mundo, aquele em que mais queremos viver e Dublin tem-me trazido pessoas memoráveis, pessoas boas, pessoas que não quero perder. De repente aprendemos que não sabemos ser assim tão independentes, assim tão autónomos. Precisamos de um abraço de conforto, de uma piada que nos faça rir descontroladamente ou da disponibildade total de alguém para nos sentirmos aconchegados. Para que tudo se torne, como disse, um bocadinho mais "casa".

Dessa, a original, o lugar para onde posso sempre voltar, acumulo saudades todos os dias. Mas também acumulo força e um estímulo enorme por saber que as "minhas pessoas" lá estão a torcer por mim e a esperar, de braços abertos, pelo momento em que eu voltar.

Dublin é, assim, alegria, expectativa, conforto, amizade, amor e saudade (não a temos todos, Portugueses?)

Até já;)


segunda-feira, 25 de junho de 2012

Festa! (Outra vez?)

Nunca chega. Dublin foi festa, Dublin é festa!

Os últimos dias trouxeram festa tuga. Ah, como é bom ser português quando se está fora. Tudo sabe melhor, tudo parece mais alegre, mais incrível. Estamos nas meias e que venham nuestros hermanos! Quero festa tuga na final, quero vestir Dublin de vermelho e verde, coisa que não me parece muito difícil nesta cidade. O irlandês gosta do tuga, felicita-o, brinda-o com uma série de nomes famosos do mundo do futebol ditos com uma pronúncia que o faz rir. :)

Mas os últimos dias também trouxeram festa irlandesa. Um festival de Verão com chuva, galochas, lama, muita lama, impermeáveis, roupas molhadas e muitos agasalhos. No fundo, uma mistura do menos esperado com o mais apetecível: música, cores, amigos, cerveja, pessoas diferentes, todos iguais. 
Acho que a beleza e a harmonia da noite de Sábado foram de tal forma inspiradores, que a Irlanda nos brindou com um magnífico sol primaveril e uma temperatura que quase fazia lembrar um verdadeiro festival de Verão, durante todo o dia de Domingo. Até a soneca de poucas horas numa tenda montada em plena lama pareceu perfeita. Bem, pelo menos até ao momento em que foi necessário acordar na Segunda de manhã and get ready for work! :)

Foi dançar até cair, foi rir até doer a barriga, foi matar saudades do drum n bass e do dubstep, foi ter a certeza que com o tempo me vou apercebendo daquilo que me faz ter o coração cheio!

Foi realmente um festival cheio de Body&Soul. Pelo menos eu estive lá, de corpo e alma!

Ricardo Giga, meu coração, por lapso não foste mencionado no post anterior, mas foi fantástico ter-te cá. VAI ser fantástico ter-te cá, pertinho de mim :D

Até já ;)