Está quase no fim mais um dia teu. Se soubesses as saudades que eu tenho de te ouvir contar em decrescente, todos dias, nos três meses que antecedem o 31 de Março! E de organizar as surpresas à meia noite, de ver o teu ar feliz sempre que recebias um presente surpreendente. Acho que nunca conheci ninguém que gostasse tanto de fazer anos como tu. Acho não, desculpa. Tenho a certeza que não há ninguém assim.
Este blog está a tornar-se melancólico. Perdoem-me aqueles que ainda perdem meia dúzia de minutos para "me" ler, mas percebo cada vez mais que é a saudade o sentimento que mais me inspira. Paradoxalmente, é também o sentimento que eu mais detesto, porque é aquele que mais sinto fisicamente e que mais custa a passar. A saudade dói no corpo e na alma.
Mas hoje, como no ano passado, não quero ficar triste neste dia. Hoje quero celebrar, mesmo longe e com dores de saudades, a tua vida, a tua alegria e o orgulho que tenho em ti. Às vezes penso e não sei se tens a verdadeira noção do quanto me inspiras e da quantidade de coisas que eu faço por ti e a pensar em ti. Tenho a certeza que numa outra vida fomos só uma. Nesta dividiram-nos e tu ficaste com a melhor parte. Tens a genica, a alegria de viver, o entusiasmo e o brilho nos olhos da eterna criança que serás, mas vais-te tornando uma mulher fantástica, com garra de "Carneiro" e a coragem de "Leão" que sempre te protege.
Como te disse, muito poucas são as palavras que te posso dedicar. Elas nunca seriam suficientes, por mais que eu tentasse. Já vivemos muitas vidas e muitas mais estarão para vir, onde certamente muitas homenagens haverá a fazer.
A maior de todas, e tu sabes, virá quando eu conseguir finalmente escrever o meu livro, o meu maior sonho. A personagem principal será uma menina-guerreira, sem medos e sem rancores, em cujos olhos só passam lágrimas de alegria. Muitas serão as suas aventuras e muitas as montanhas que terá que escalar. Ainda não sei, porém, como vou conseguir, uma vez mais, transmitir tudo aquilo que tu és, por palavras, por muitas que elas sejam.
Só há uma coisa de que estou certa. No meu livro, como na vida, terás certamente um final muito feliz!
Parabéns miúda!
Até já.
segunda-feira, 31 de março de 2014
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
Saudades.
Em dias importantes, como hoje, tenho crises agudas de saudades.
Em dias como hoje, a vontade que tenho é de largar tudo, dizer que não ao futuro planeado e certinho e correr para onde eu queria estar.
Em dias como hoje, eu queria só estar a festejar o teu aniversário contigo, à direita do teu lugar na mesa.
Queria rir-me com as pequenas e cantar as músicas do rádio a caminho de casa, com a minha cantora favorita.
Queria, no espaço de uma mensagem, estar em frente ao mar a comer um McFlurry do McDonalds da praia.
E em dias como amanhã, eu acordaria feliz e teria um abraço gigante de mãe e o colinho que está sempre tão longe.
Em dias como hoje, todas as conquistas parecem pequenas. A maior conquista seria ter isso tudo perto de tudo o resto.
Um beijo de emigrante saudosa a todos os que, de longe, me querem tanto bem!
Até já.
Em dias como hoje, a vontade que tenho é de largar tudo, dizer que não ao futuro planeado e certinho e correr para onde eu queria estar.
Em dias como hoje, eu queria só estar a festejar o teu aniversário contigo, à direita do teu lugar na mesa.
Queria rir-me com as pequenas e cantar as músicas do rádio a caminho de casa, com a minha cantora favorita.
Queria, no espaço de uma mensagem, estar em frente ao mar a comer um McFlurry do McDonalds da praia.
E em dias como amanhã, eu acordaria feliz e teria um abraço gigante de mãe e o colinho que está sempre tão longe.
Em dias como hoje, todas as conquistas parecem pequenas. A maior conquista seria ter isso tudo perto de tudo o resto.
Um beijo de emigrante saudosa a todos os que, de longe, me querem tanto bem!
Até já.
domingo, 26 de janeiro de 2014
Do tema do momento: a praxe
Em boa verdade, o título deste artigo não está 100% correcto. Este tema é deste momento como já foi de muitos outros momentos. A discussão à volta da praxe é velhinha, velhinha e, como em tudo o que se discute em Portugal, não há meio termo. Só se manifesta quem adora a praxe, considerando que ela fez parte da sua formação enquanto pessoa e que elevou os seus valores de companheirismo, amizade, dádiva, etc., ou então quem a odeia. Este último grupo de pessoas parte geralmente para a generalização gratuita, considerando que toda e qualquer pessoa envolvida neste "ritual secreto e perverso" é, naturalmente, frustrada e mal resolvida ou então, pelo outro lado, tornar-se-á num cidadão sem fibra, subjugado e inútl.
Pois bem. Como sempre faço, reflecti muito sobre este assunto antes de escrever sobre ele. Li opiniões, artigos, crónicas, dezenas de posts de facebook de ambas as facções e acho-me agora capaz de opinar de forma congruente e (eu sim!) com muito conhecimento de causa.
Para começar com todas as cartas em cima da mesa, faço uma ressalva importante: fui praxada, praxei e adorei esses dois anos da minha vida, embora deva confessar, seja de longe muito mais divertido ser praxado do que praxar. E fi-lo, muita atenção!, porque QUIS. Porque voluntariamente eu quis experimentar a praxe. Nunca ninguém me obrigou a fazer nada e recusei-me inclusivamente a fazer algumas coisas por considerá-las estúpidas. Fui agredida, excluída, insultada? Não. Nunca.
Facto curioso para todos os Pachecos Pereiras da vida: sou uma pessoa normal, tenho amigos, um bom emprego e boas relações com as pessoas por todos os sítios por onde vou passando. Como eu, tenho dezenas de colegas e amigos. Pessoas bem formadas e educadas que viram na praxe uma excelente oportunidade de se "divertirem à grande" com pessoas que, inicialmente, mal conheciam e que, naquele contexto de brincadeira e à vontade, se foram tornando, de facto, grandes amigos. Nunca me senti humilhada e certamente nunca humilhei ninguém. Nunca maltratei professores e nunca vi isso acontecer da nossa parte. Um dos "meus" caloiros mais activos é hoje em dia Presidente da Associação Académica da Universidade. Continuo amiga de alguns dos meus professores, pessoas de quem retirei ensinamentos para a vida e de quem nunca me esquecerei. Esses mesmos professores viram-me trajada, viram-me a praxar e nunca em momento algum me referiram nenhum tipo de repúdio por nada do que eu tenha feito.
Quanto ao argumento de a praxe acrescentar ou não alguma coisa à sociedade. Bom, tendo em conta que a Fanny é uma figura pública, esse argumento nem sequer pode ser considerado.
No entanto, caros leitores (e este no entanto é fundamental!), nem todas as pessoas são como eu, os meus amigos e grande parte dos que me praxaram e que eu praxei. Infelizmente, a praxe é uma tradição mantida por pessoas e como qualquer coisa que dependa de pessoas, ela está sujeita à perda da sua essência com o tempo, à estupidez humana e à falta daquela coisa que dizem que nos distingue dos animaizinhos. É isso, racionalidade. Assim sendo, e como qualquer actividade que envolva pessoas, a praxe pode e DEVE ser regulada e controlada para lá do código de praxe que, convenhamos, em termos humanos regula muito pouco.
Não vale a pena, portanto, na minha opinião, andarmos a tentar colocar as culpas na praxe em si. O problema está nas pessoas, como em tudo na vida! E então são essas pessoas que devem ser punidas, que devem ser impedidas de ter acesso à praxe, que devem pagar pelos erros cometidos. E não a praxe, porque a praxe em si é apenas uma tradição de integração e acolhimento que, na sua génese, nada tem de errado. Como referia hoje o HM no seu artigo do Expresso, há praxe no exército, há praxe em grupos desportivos, há praxe nas escolas secundárias, enfim. A praxe não é exclusivamente uma prática universitária e como tal não lhe podemos colocar todo o peso desta discussão em cima.
Como ninguém neste momento em Portugal, tirando claro o envolvido, não sei o que aconteceu no Meco. Não sei se os seis estudantes estavam, de facto, em praxe nem se o Dux entrou ou não entrou na água com eles e teve, simplesmente, mais sorte. Não sei sequer se entraram na água ou se a onda os apanhou desprevenidos enquanto bebiam uns copos. Se entraram na água em praxe, contudo, a culpa não será certamente do Dux, uma vez que eles eram todos praxantes, adultos e voluntários. Não sei nada e ninguém sabe nada, embora andemos todos armados em Polícia Judiciária, faltando ao respeito à memória dos seis miúdos que perderam a vida, às suas famílias e ao sétimo rapaz que todos agora tratamos por Dux, mas que tem um nome, uma família e perdeu seis amigos num acidente terrível.
Só há uma coisa que sei no seguimento daquilo que escrevi anteriormente. Não é suposto utilizar a praxe para actividades que colocam vidas em risco, ao fim de semana e na praia com a costa portuguesa em alerta vermelho. E neste sentido, todos os envolvidos são responsáveis, praxantes e praxados, tendo tido, infelizmente, a maior punição possível.
Agora, se mesmo depois desta terrível lição, os estudantes da Lusófona e de outras semelhantes, continuam a achar-se no direito de prosseguir com este tipo de actividades arriscadas e de ainda por cima não falarem sobre elas, passando por cima de todos os limites da dignidade humana, meus amigos, que se lixe a praxe. Se é impossível regular as atividades praxísticas de um modo que vá para além do código de praxe e se é impossível controlar a estupidez humana de modo a evitar que outras tragédias aconteçam, que se lixe a praxe. Até porque, como sempre dizíamos: "quando um faz m****, todos fazemos m****".
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
Cabo Verde. Terra de nha cretchéu.
Os meses e os anos vão passando e eu vou-me apaixonando. Por novos lugares, novos países, novas sensações, novos povos. O ano foi virado em Cabo Verde. Tempo quente como corolário de um ano cheinho de calor no coração. 2013 foi generoso comigo (só para me contrariar quando digo que os anos ímpares nunca são tão bons) e terminou em festa, com muitos sorrisos, um beijo apaixonado e um brinde cheio de promessas para os novos anos que nos esperam.
Mas 2014 entrou melhor ainda. Para quem nunca teve a oportunidade de conhecer a ilha de S. Vicente e particularmente a pequena cidade do Mindelo, por favor, façam-no. Há lugares neste mundo que, sem percebermos muito bem porquê, nos cativam de uma forma singular e especial. São aqueles lugares que nos aquecem o coração quando nos lembramos deles. O Mindelo é um desses.
Sendo uma pequeníssima vila (ou cidade) de pescadores, não deixa adivinhar à primeira vista, o maravilhoso calor humano, musical e cultural que esconde. Terra natal de Cesária Évora, o Mindelo vive de música, de animação, de sorrisos sinceramente felizes, de pessoas que, não tendo nada, têm tudo. Enquanto dançávamos na rua pela madrugada fora ao som de conhecidos intérpretes cabo-verdianos, entre eles Tito Paris, um dos milhares de mindelenses em festa perguntou-nos de onde éramos. Quando ouviu "Portugal", a sua resposta trouxe-me lágrimas: "Cabo Verde é Portugal. Somos povos irmãos". Os mindelenses provaram-me, uma vez mais, que a generosidade de quem nada tem não conhece limites (só no caso destes, os limites aos horários, à eficiência, à rapidez, e afins, o que num contexto de férias não nos pareceu assim tão mal!).
Santo Antão foi a segunda ilha de passagem e mostrou-nos paisagens que, sinceramente, nunca imaginei que existissem em Cabo Verde. A verdade é que nunca pensei que estas ilhas fossem, de facto, tão verdes e tão esplendorosas. Vales imensos a perder de vista, o corropio dos camponeses e a fome de terra dos pescadores. Mas o mar, esse que tanto me diz, sempre de fundo em tudo o que íamos fazendo.
E finalmente, Santiago, a ilha grande, a capital. A Praia é essa já uma cidade com tudo de bom e de mau que isso traz. Ali sente-se já um bocadinho mais o síndroma das cidades que vão crescendo, a impessoalidade dos gestos, os grupos mais reduzidos, o movimento das ruas. Mas o desejo de mar continua lá, a preguiça dos dias de sol, a alegria de quem parece viver eternamente de férias.
Saindo da Cidade da Praia, no entanto, tudo volta a ser como num documentário sobre lugares remotos do nosso planeta. Cheios de sede de aventura e vontade de explorar mais e mais, passámos pela pequena cidade da Assomada, onde fomos o centro das atenções, por vilas pequenas como S. Jorge e subimos ao pico do Boca Larga, onde pela primeira vez senti que chegara ao ponto último onde a terra se encontra com o paraíso. No Boca Larga ainda não há agua canalizada nem luz elétrica. A crianças brincam na rua e os seus melhores amigos são os animais do campo. Com muita certeza posso dizer que nunca vi crianças mais bonitas em nenhuma parte do mundo. Aliás, voltei com a suspeita de que o povo cabo-verdiano está no top 3 dos povos mais bonitos que habitam a terra. Ao fim de mais algumas viagens, poderei ter certezas mais concretas.
Assim fica mais um bocadinho de coração em pleno Oceano Atlântico, desta vez não em uma mas em várias ilhas, também elas, muito verdes. Ilhas de nha cretchéu, de simplicidade e harmonia. De cores, sabores, de um sol imenso e um mar turquesa a perder de vista.
Até já.
Mas 2014 entrou melhor ainda. Para quem nunca teve a oportunidade de conhecer a ilha de S. Vicente e particularmente a pequena cidade do Mindelo, por favor, façam-no. Há lugares neste mundo que, sem percebermos muito bem porquê, nos cativam de uma forma singular e especial. São aqueles lugares que nos aquecem o coração quando nos lembramos deles. O Mindelo é um desses.
Sendo uma pequeníssima vila (ou cidade) de pescadores, não deixa adivinhar à primeira vista, o maravilhoso calor humano, musical e cultural que esconde. Terra natal de Cesária Évora, o Mindelo vive de música, de animação, de sorrisos sinceramente felizes, de pessoas que, não tendo nada, têm tudo. Enquanto dançávamos na rua pela madrugada fora ao som de conhecidos intérpretes cabo-verdianos, entre eles Tito Paris, um dos milhares de mindelenses em festa perguntou-nos de onde éramos. Quando ouviu "Portugal", a sua resposta trouxe-me lágrimas: "Cabo Verde é Portugal. Somos povos irmãos". Os mindelenses provaram-me, uma vez mais, que a generosidade de quem nada tem não conhece limites (só no caso destes, os limites aos horários, à eficiência, à rapidez, e afins, o que num contexto de férias não nos pareceu assim tão mal!).
Santo Antão foi a segunda ilha de passagem e mostrou-nos paisagens que, sinceramente, nunca imaginei que existissem em Cabo Verde. A verdade é que nunca pensei que estas ilhas fossem, de facto, tão verdes e tão esplendorosas. Vales imensos a perder de vista, o corropio dos camponeses e a fome de terra dos pescadores. Mas o mar, esse que tanto me diz, sempre de fundo em tudo o que íamos fazendo.
E finalmente, Santiago, a ilha grande, a capital. A Praia é essa já uma cidade com tudo de bom e de mau que isso traz. Ali sente-se já um bocadinho mais o síndroma das cidades que vão crescendo, a impessoalidade dos gestos, os grupos mais reduzidos, o movimento das ruas. Mas o desejo de mar continua lá, a preguiça dos dias de sol, a alegria de quem parece viver eternamente de férias.
Saindo da Cidade da Praia, no entanto, tudo volta a ser como num documentário sobre lugares remotos do nosso planeta. Cheios de sede de aventura e vontade de explorar mais e mais, passámos pela pequena cidade da Assomada, onde fomos o centro das atenções, por vilas pequenas como S. Jorge e subimos ao pico do Boca Larga, onde pela primeira vez senti que chegara ao ponto último onde a terra se encontra com o paraíso. No Boca Larga ainda não há agua canalizada nem luz elétrica. A crianças brincam na rua e os seus melhores amigos são os animais do campo. Com muita certeza posso dizer que nunca vi crianças mais bonitas em nenhuma parte do mundo. Aliás, voltei com a suspeita de que o povo cabo-verdiano está no top 3 dos povos mais bonitos que habitam a terra. Ao fim de mais algumas viagens, poderei ter certezas mais concretas.
Assim fica mais um bocadinho de coração em pleno Oceano Atlântico, desta vez não em uma mas em várias ilhas, também elas, muito verdes. Ilhas de nha cretchéu, de simplicidade e harmonia. De cores, sabores, de um sol imenso e um mar turquesa a perder de vista.
Até já.
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Dos lugares que também nos fazem.
Quando penso no que tem sido a minha vida ao longos destes tantos e tão poucos 24 anos, penso muito não só nas pessoas que me foram, de uma forma ou de outra, tornando na pessoa que hoje sou, mas também em todos os lugares por onde passei e por onde ainda passarei. E quanto mais penso, mais concluo que os lugares são, sem dúvida, fundamentais na nossa definição enquanto pessoas e, tal como as pessoas, eles perduram em nós. O cheiro, os ruídos, os silêncios, a solidão profunda ou a alegria de um grupo de amigos, as rotinas e os hábitos que mudam sempre de lugar para lugar. Trago todos os lugares por onde tenho passado no coração e não são raras as vezes em que alguma coisa me faz lembrar deles.
O ruído do elétrico lembra-me o Porto, a cidade que me viu nascer, a Igreja do Carmo e a minha avó a passear-me orgulhosa ao Domingo de manhã. O som do mar traz-me à lembrança Matosinhos, onde cresci e me fiz mulher e para onde voa o meu coração sempre que a saudade aperta. Foi provavelmente lá que mais chorei em toda a minha vida, mas também foi de certeza onde mais vezes aqueci o coração.
Saudade é também a palavra que me leva a Braga. Braga tem uma magia especial, uma luz própria que é difícil de encontrar numa cidade, por maior que seja. Braga viu-me crescer de várias maneiras, viu-me criar sonhos e correr atrás deles. Braga deu-me amigos que nenhum lugar nunca apagará.
Bolonha é o pôr-do-sol. Ah, se é! Cidade das cores do fogo, do cappuccino e do Inverno a sério. A lembrança que me traz cheiro da pizza saída do forno nunca será substituída por nenhuma outra, como nunca o será ouvir a "Aqui ao Luar" dos Xutos.
Guimarães foi, provavelmente, a cidade onde mais me senti sozinha, por mais pessoas fantásticas que tivesse à minha volta. Mas nunca me esquecerei da sensação fantástica de conduzir à deriva ao som do oceano pacífico da RFM, e do conforto do regresso a casa ao fim de semana. Guimarães ensinou-me a gostar da minha própria companhia, a desfrutar de verdadeiros momentos de silêncio em que só as páginas do meu livro faziam algum ruído.
E depois Dublin. Esta cidade cinzenta, chuvosa e fria que foi a maior surpresa de todas. Dublin é chuva, mas também é brunch ao Domingo de manhã. É frio, mas também é música nas ruas e pessoas felizes. É sair do trabalho e ouvir alguém a tocar gaita de foles de forma sublime. É mudança e um futuro risonho. Para onde quer que vá, será sempre a cidade onde mais amei.
E, depois de tudo, no fundo todos estes lugares são as pessoas com quem os partilhei, que tanto me deram e por isso nunca partiram, nem partirão alguma vez.
O bom de mudar de sítio muitas vezes é perceber que o meu coração é suficientemente grande para deixar pedaços enormes por onde quer que passe.
Até já.
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Amo-te.
O melhor da vida é sentirmo-nos amados. Por aqueles que amamos e, não sejamos hipócritas, por outros também. Mas foquemo-nos no amor recíproco. Esse amor que nos faz bem, que nos cola um sorriso nos lábios ao acordar e que nos faz adormecer com o coração mais quentinho do que os pés.
Quando nascemos e durante a nossa infância, amor é tudo aquilo de que necessitamos para ser felizes. A certeza de que há ali uma figura de referência, seja uma mãe, um pai, um avô, uma avó, um tio, uma tia, que nos ama incondicionalmente, nos protege e assegura o nosso bem-estar emocional é, talvez mas não suficiente, mas fundamental para nos formarmos seres humanos capazes e competentes.
Nessa altura, a nossa própria capacidade de amar é muito maior do que em qualquer outra fase da vida. Encontramos nas pessoas que nos acompanham, os nossos heróis favoritos e vibramos com as gargalhadas deles, da mesma forma que sofremos com as suas lágrimas. O amor é uma coisa simples. Basta receber tudo de bom e o mesmo retribuiremos. "Filho és, pai serás", sempre ouvi dizer.
O problema é que quando crescemos, este amor absoluto parece, de repente, relativizar-se. Já não queremos dar tudo, porque há algo que deve sempre ficar para nós. E na verdade já não podemos dar tudo, porque não temos tempo. Amamos muitas outras coisas, de repente. Amamos o nosso trabalho, amamos a nova cidade onde vivemos, amamos os novos amigos que vão surgindo, amamos os outros que sempre vão ficando, amamos um novo alguém na nossa vida.
Aflige-me então que já não possamos dar tudo sempre, como acontecia antes. Aflige-me a aversão que temos ao uso de um "amo-te", sobretudo às pessoas que estão na nossa vida desde o início. Aflige-me as opções que vamos tomando e que nos roubam momentos que nunca saberemos se voltam. Tornamo-nos muitas vezes egoístas, porque sabemos que precisamos de amor em determinado momento, mas esquecemo-nos de perguntar se a pessoa que nos abraça não precisa, também ela de chorar, ou de rir muito até doer a barriga. Esquecemo-nos de dizer "obrigada por estares aqui". Forçamos o esquecimento daquele "amo-te" que nós próprios tanto gostamos de ouvir.
Por não saber por quanto tempo o poderei fazer, faço questão de amar muito, por palavras e actos, todos aqueles que durante toda a minha vida tanto me deram. Faço questão de dizer aos meus pais, às minhas três irmãs, aos meus avós, aos meus amigos, amigas e ao meu namorado, o quanto eles são fundamentais para o meu equilíbrio. O quanto a felicidade deles faz parte da minha também. O quanto a sua presença me falta.
Que nunca nos falte um "amo-te", um "gosto muito de ti" ou um "tenho saudades tuas".
Ainda por cima temos o privilégio de o poder dizer em Português.
Com amor,
Até já.
Quando nascemos e durante a nossa infância, amor é tudo aquilo de que necessitamos para ser felizes. A certeza de que há ali uma figura de referência, seja uma mãe, um pai, um avô, uma avó, um tio, uma tia, que nos ama incondicionalmente, nos protege e assegura o nosso bem-estar emocional é, talvez mas não suficiente, mas fundamental para nos formarmos seres humanos capazes e competentes.
Nessa altura, a nossa própria capacidade de amar é muito maior do que em qualquer outra fase da vida. Encontramos nas pessoas que nos acompanham, os nossos heróis favoritos e vibramos com as gargalhadas deles, da mesma forma que sofremos com as suas lágrimas. O amor é uma coisa simples. Basta receber tudo de bom e o mesmo retribuiremos. "Filho és, pai serás", sempre ouvi dizer.
O problema é que quando crescemos, este amor absoluto parece, de repente, relativizar-se. Já não queremos dar tudo, porque há algo que deve sempre ficar para nós. E na verdade já não podemos dar tudo, porque não temos tempo. Amamos muitas outras coisas, de repente. Amamos o nosso trabalho, amamos a nova cidade onde vivemos, amamos os novos amigos que vão surgindo, amamos os outros que sempre vão ficando, amamos um novo alguém na nossa vida.
Aflige-me então que já não possamos dar tudo sempre, como acontecia antes. Aflige-me a aversão que temos ao uso de um "amo-te", sobretudo às pessoas que estão na nossa vida desde o início. Aflige-me as opções que vamos tomando e que nos roubam momentos que nunca saberemos se voltam. Tornamo-nos muitas vezes egoístas, porque sabemos que precisamos de amor em determinado momento, mas esquecemo-nos de perguntar se a pessoa que nos abraça não precisa, também ela de chorar, ou de rir muito até doer a barriga. Esquecemo-nos de dizer "obrigada por estares aqui". Forçamos o esquecimento daquele "amo-te" que nós próprios tanto gostamos de ouvir.
Por não saber por quanto tempo o poderei fazer, faço questão de amar muito, por palavras e actos, todos aqueles que durante toda a minha vida tanto me deram. Faço questão de dizer aos meus pais, às minhas três irmãs, aos meus avós, aos meus amigos, amigas e ao meu namorado, o quanto eles são fundamentais para o meu equilíbrio. O quanto a felicidade deles faz parte da minha também. O quanto a sua presença me falta.
Que nunca nos falte um "amo-te", um "gosto muito de ti" ou um "tenho saudades tuas".
Ainda por cima temos o privilégio de o poder dizer em Português.
Com amor,
Até já.
domingo, 20 de outubro de 2013
O outro lado da emigração.
Desde que deixei Portugal, há um ano e meio sensivelmente, o tema da emigração jovem tem feito cada vez mais furor. Duvido que ainda reste alguém em Portugal que não tenha pelo menos uma pessoa próxima a viver fora do país: um filho, um amigo, um irmão, um neto. Somo-lo todos nós e sabemos bem o peso que isso acarreta.
Não acredito, no entanto, que a questão da emigração seja, sempre, abordada da forma mais correcta. Acredito mais depressa que seja abordada pelo lado mais fácil, mais mediático e mais sensível para qualquer um de nós: a dor de partir, a saudade, a coragem, a cobardia, o fugir, o enfrentar, enfim, toda uma panóplia de termos que parecem andar de mãos dadas com todos nós que tomámos a decisão de sair e com todos os "nossos" que ficaram.
Apesar de não negar nem querer ignorar de nenhuma forma o peso emocional e as consequências demográficas e económicas para o nosso país que esta vaga de emigração jovem traz e trará em anos não muito distantes, julgo que está na hora de olharmos para o fenómeno por um lado menos negativista e menos pesado.
Por que não substituir as expressões "coragem" ou "fuga" por "sucesso" e "conquista"? Por que não pensar naqueles que deixam o país como "os que encontraram alternativas mais satisfatórias e realizadoras", ao invés de encará-los como "os que, coitadinhos, deixam o país porque a sua vida era absolutamente miserável e nunca poderiam ser felizes no seu Portugal?". Bem sei, bem sei, nem todos os casos de emigração são casos de sucesso. Mas há muitos, imensos até, que o são e isso prova, mais do que a falta de oportunidades que há em Portugal, o quão bons são estes lusitanos que se aventuram além fronteiras!
Por outro lado, os que ficam em Portugal, são também muitas vezes vistos de duas formas distintas. Para uns, são os coitadinhos sem coragem, cujas vidas estão condenadas ao fracasso num país que nada mais tem para oferecer do que precariedade e desemprego. Para outros, os que decidem não sair são os resistentes, os bravos que se mantém e que lutam por uma pátria em decadência. Para mim, os que ficam são tão pessoas e tão tudo o resto, como todos aqueles que saem. O seu único pecado (ou virtude!) é terem feito outras escolhas, terem outras prioridades.
A chave está, na minha opinião, em olharmos para tudo isto de uma forma mais otimista e em assumirmos que a emigração de hoje em dia (embora de consequências futuras inegavelmente nefastas!) é radicalmente diferente daquela que se praticava há quatro ou cinco décadas. Nós já não somos os emigrantes da mala de cartão, mas também não fugimos nem perdemos afectos nem nos esquecemos do quanto é bom ser Português.
Mesmo que tudo o resto falte, nunca nos tirarão os dias de sol no Inverno, o bacalhau com natas ou o Fado. Esse Fado que, em qualquer parte do Mundo, viverá eternamente connosco.
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